"Hoje, tive um pesadelo, que mais parecia real. Eu via todos aqueles que antes estavam ao meu lado a todo tempo, sendo nos momentos felizes ou tristes, se tornarem completamente irreconhecíveis, mudando até o jeito que me observam, como se eu fosse um completo estranho, mesmo que em suas mentes soubessem que me conhecem.
Observava meus pais afundados em problemas e em preocupações e eu nada podia fazer para ajudá-los. Eu via minha mãe chorar com a morte de minha avó e os problemas que isso ocasionara a todos os meus familiares como meu tio, que desenvolveu uma depressão e em cima dela desenvolveu-se de forma agravante um câncer, e a tudo que foi chegando com essa nova etapa de sua vida.
Eu conseguia ver, por entre névoas, meus sonhos realizados por alguns instantes, porém em um piscar de olhos eu observava alguns sumirem depressa, até que apenas restasse aquele quarto negro e vazio, sedento pelos sonhos que a faziam sempre ficar iluminada e com um ar de esperança e renovo, totalmente o oposto de como se encontrava agora.
Eu também me sentia completamente invisível. Eu via meus amigos e os chamava o mais alto que eu podia, mas eles pareciam não me escutar. Parecia que eles não conseguiam me ver, pois não olhavam em minha direção, só continuavam em seu rumo, conversando sobre o que estavam falando e rindo como eu costumava fazer juntos a eles enquanto voltávamos para nossos respectivos lares.
Eu também via meu coração se partir e sentir as lágrimas frias aquecerem as bochechas de meu resto abalado por tudo que estava me acontecendo naquelas horas. Eu observava aquela que carregava meu coração em suas mãos, aquela que perturbava meus pensamentos e me deixava totalmente sem defesas e entregue aos desejos de minha emoção e minha paixão, dando seu coração à outro e se esquecendo que estava segurando o meu. Também via o beijo apaixonado do casal que acabara de se formar e, atordoada com o acontecimento, ela se entregava às suas emoções a pessoa que deveria ser eu, e soltando meu coração, abraçava-o com toda a intensidade e toda a felicidade que podia. O som de meu coração se quebrando era um zumbido para qualquer espectador daquela cena, mas para mim era como gemidos desesperados clamando por compaixão.
Hoje, eu tive um pesadelo, que mais parecia real. Tão real que ele ainda não havia acabado, e eu já acordado estava. Ouvindo o som da tempestade, lembrava-me do que atormentava minha realidade, do que me impedia de sonhar. Por um instante, lembrei-me de meu pai e, em um piscar de olhos, eu conseguia me ver em um barco no meio de um oceano agitado. Eu tentava me segurar nas bordas, porém as ondas eram fortes demais para que eu aguentasse segurar por tanto tempo. Desesperado, corri quando tive a chance para o convés de baixo. Ali, eu o vi. Meu pai. Ele estava dormindo. Em meio à tempestade, meu pai dormia. Como ele podia? Ele sabe que podíamos morrer aqui. Porém, me lembrei do que ele disse quando o conheci: "Confie em mim, entregue suas tormentas em minhas mãos e descanse". Agora tudo fazia sentido. Eu estava tão focado em meus problemas que me esqueci dele e de que ele sabe o que é melhor para mim. Não havia mais nada em mim, por isso deitei-me ao seu lado e fechei meus olhos. "Bons sonhos". Foi só o que consegui ouvir.
comentem ;*








Amoor parabéns pelos seus textos cada dia vc se supera ;)
ResponderExcluirNossa... não sabia que você tinha tantos sentimentos e escrevia de uma forma tão bacana. :)
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